Para Luís Figo, mudar-se para a Arábia Saudita
é uma forma "suave" de terminar a carreira. Porém, se
a realidade do futebol saudita é completamente diferente da
do europeu, não deixa de ser um país onde a
modalidade é vivida intensamente, esperando-se sempre muito
das estrelas do futebol internacional que por lá vão
passando. A pressão existe e não é pouca, mas
a diferença é que os estrangeiros não a
entendem, pois a barreira da língua acaba por ser
intransponível. Mas este é apenas um dos
problemas.
Dinheiro não falta, não fosse este um país que
vive da exploração do petróleo. Mas a falta de
organização no futebol transforma-o numa
espécie de "falso profissionalismo", ou seja, os
milhões gastos em jogadores como Figo, e, anteriormente,
Bebeto e Donadoni, são a aposta dos xeques que controlam
este desporto. Os sauditas, que são mais de 90% dos atletas
a representarem os clubes, recebem ordenados muito baixos. As
infra-estruturas estão longe do ideal, as
competições pouco organizadas, a cultura condiciona,
os escalões de formação são
inexistentes e há falta de cultura desportiva (por exemplo:
é natural os atrasos nos treinos; a preparação
física é descuidada).
José Peseiro esteve recentemente na Arábia Saudita,
como treinador do Al-Hilal, e explicou ao DN que o país tem
muitos jovens talentos que não são aproveitados,
estando o futebol numa "fase de desenvolvimento idêntica
à de Portugal há 20 anos". "Riqueza técnica
não falta. O que mais se vê é o futebol de rua,
mas só a partir dos 15 anos os jovens são integrados
nos clubes", salientou, acrescentando que existe um "contraste
entre o entusiasmo no jogo e a falta de organização".
O treinador refere que "não há investimento a
médio/longo prazo", pois na Arábia Saudita "vive-se
para o momento".
A estratégia de contratar os big names não
tem como principal objectivo ajudar ao desenvolvimento da
modalidade. "É a procura do resultado imediato", referiu
Peseiro, justificando com a constante troca de treinadores durante
a época, mesmo que sejam líderes. O técnico
realça a "instabilidade e falta de um modelo de jogo a
seguir", acreditando que Figo poderá fazer mais do que
simplesmente jogar.
A missão não será fácil, porque a
vontade, seja de jogadores ou de treinadores, de contribuir para o
desenvolvimento do futebol esbarra nas prioridades dos sauditas. Os
clubes pertencem ao Governo e mesmo sendo um campeonato considerado
por José Peseiro como "o melhor do Golfo", o importante
é a selecção. "É comum os jogadores
passarem semanas em estágio, com os clubes em
actividade".
Apesar de todos os condicionamentos, não só no
futebol - não há cinema, teatros, discotecas, a
separação dos sexos -, que esperam Figo, Peseiro
não hesita em afirmar que "irá adaptar-se bem". Na
Arábia Saudita "adoram ídolos e as camisolas de
Cristiano Ronaldo e Figo são muito vistas". Só o
anúncio de Figo espoletou uma loucura nacional, sendo
aguardado com enorme ansiedade.
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Data de criação : 07/02/15 Última actualização : 07/02/15 17:04 / 7 Artigos publicados
Sem comentários Inserido Thursday 15 February 2007 17:04
Muito entusiasmo e pouca organização esperam Figo Inserido Thursday 15 February 2007 17:00
Luís Figo descarta encerrar a carreira em Portugal Inserido Thursday 15 February 2007 16:56
Lisboa, 12 Fev (Lusa) - O português
Luís Figo, da Inter de Milão, descartou nesta
segunda-feira a possibilidade de terminar a carreira num clube de
Portugal, garantindo que quer pôr fim à sua
participação em torneios de alto nível no
final desta temporada, com a conquista do título
italiano.
"Como jogador, já há muito tempo que decidi não regressar a Portugal. Logicamente que a minha carreira em termos de alta competição acabará este ano em Itália. É este o meu pensamento, foi o pensamento que tive quando fui para Itália há dois anos", afirmou o ex-jogador a seleção portuguesa, quando questionado se gostaria de terminar a carreira no Sporting, clube que o projetou.
"Eu fiquei na Itália estes seis meses para ganhar o campeonato e para realmente sair a um nível que eu me exijo do futebol de alta competição. Por isso fiquei na Itália. Senão, teria saído em janeiro", justificou o recordista de jogos na seleção lusa (127).
Figo comentou também a crise que atualmente afeta a Liga italiana de futebol, que este fim-de-semana realizou uma rodada sem público na maioria dos estádios, depois de um governo ter proibido a presença de espectadores nos estádios que não cumpram as normas de segurança.
A decisão foi tomada depois de um policial ter sido morto em confrontos entre torcedores e forças da segurança no embate entre Catania e Palermo.
"Acho que é extremamente negativo para toda mundo: para os profissionais, para os torcedores, para os clubes e para o futebol em si. Mas sem dúvida que se tinha de fazer qualquer coisa para alterar a situação em Itália, e o governo entendeu que esta era a melhor forma", lamentou o jogador luso.
Figo explicou depois que preferia outra solução, que passava por "parar o campeonato até que tudo estivesse regularizado e depois começar com público, porque o futebol sem público não tem essência".
O ex-jogador do FC Barcelona e do Real Madrid falou ainda da hipótese de, no final da presente época, rumar à Arábia Saudita para representar o Al-Ittiyad, considerando que, caso isso aconteça, será "uma aventura das arábias".
"Foi uma opção que tive depois de decidir terminar este ano ao mais alto nível e vamos ver. Vou aguardar para ver realmente se vou ou não, primeiro que tudo", afirmou, precisando que "a família sempre apoiou ao longo deste anos de carreira e logicamente as decisões que se tomam são faladas e ponderadas".
Luís Figo disse não saber ainda onde vai residir depois de terminar a carreira de jogador. "Não lhe sei responder neste momento. Sou um cidadão do mundo e, por isso, vou estar uma semana num lado e outra noutro", brincou Figo, perante as perguntas dos jornalistas se a sua opção passava por residir na Espanha.
"Como jogador, já há muito tempo que decidi não regressar a Portugal. Logicamente que a minha carreira em termos de alta competição acabará este ano em Itália. É este o meu pensamento, foi o pensamento que tive quando fui para Itália há dois anos", afirmou o ex-jogador a seleção portuguesa, quando questionado se gostaria de terminar a carreira no Sporting, clube que o projetou.
"Eu fiquei na Itália estes seis meses para ganhar o campeonato e para realmente sair a um nível que eu me exijo do futebol de alta competição. Por isso fiquei na Itália. Senão, teria saído em janeiro", justificou o recordista de jogos na seleção lusa (127).
Figo comentou também a crise que atualmente afeta a Liga italiana de futebol, que este fim-de-semana realizou uma rodada sem público na maioria dos estádios, depois de um governo ter proibido a presença de espectadores nos estádios que não cumpram as normas de segurança.
A decisão foi tomada depois de um policial ter sido morto em confrontos entre torcedores e forças da segurança no embate entre Catania e Palermo.
"Acho que é extremamente negativo para toda mundo: para os profissionais, para os torcedores, para os clubes e para o futebol em si. Mas sem dúvida que se tinha de fazer qualquer coisa para alterar a situação em Itália, e o governo entendeu que esta era a melhor forma", lamentou o jogador luso.
Figo explicou depois que preferia outra solução, que passava por "parar o campeonato até que tudo estivesse regularizado e depois começar com público, porque o futebol sem público não tem essência".
O ex-jogador do FC Barcelona e do Real Madrid falou ainda da hipótese de, no final da presente época, rumar à Arábia Saudita para representar o Al-Ittiyad, considerando que, caso isso aconteça, será "uma aventura das arábias".
"Foi uma opção que tive depois de decidir terminar este ano ao mais alto nível e vamos ver. Vou aguardar para ver realmente se vou ou não, primeiro que tudo", afirmou, precisando que "a família sempre apoiou ao longo deste anos de carreira e logicamente as decisões que se tomam são faladas e ponderadas".
Luís Figo disse não saber ainda onde vai residir depois de terminar a carreira de jogador. "Não lhe sei responder neste momento. Sou um cidadão do mundo e, por isso, vou estar uma semana num lado e outra noutro", brincou Figo, perante as perguntas dos jornalistas se a sua opção passava por residir na Espanha.


